Sejam Bem Vindos ao Templo da Dança Árabe!!!

Para todos que amam a Dança árabe e fazem dela mais do que uma simples atividade, mas sim uma filosofia de vida, venha fazer parte desta grande família, do nosso templo da Dança Árabe...

Escola de Dança Carla Cecílio

A Cia de Dança Carla Cecílio é uma escola de dança especializada na dança e cultura árabe!!

Porque dançar é...

Pura magia!!

Louvada seja Dança...

"Quando você dança, seu propósito não é chegar a determinado lugar. É aproveitar cada passo do caminho". (Wayner Dyer)

Estética, Beleza e Emoção

Os movimentos surgem das emoções particulares de cada um, e transformam-se em arte quando encontram uma linguagem universal,já que o ser humano tem uma essência comum". (Klauss Vianna)

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11 de janeiro de 2012

Os 4 Elementos da Natureza associados a Dança do Ventre

Toda mulher tem em si várias formas de expressão e na dança precisamos oscilar entre cada uma delas. Amulher que dominar essas 4 variações, conseguirá surpreender o público e preencher todo o espaço comdomínio e presença de palco.Resolvi utilizar esta linguagem dos 4 elementos após um seminário de desenvolvimento da feminilidade!


Achei impressionante como tudo fica tão bem interligado!Lembrando que existem vários níveis de verdade,estamos em processo de crescimento e aprendizado. Sem a pretensão de possuir a verdade...vamos estudarum pouquinho dos elementos. A dança vai muito além de movimentar o corpo físico, ela atua em níveisenergéticos, trabalha expressão corporal, auto-estima, o desenvolvimento da feminilidade, a integração social erespeito ao próprio corpo.Quando tomamos consciência da relação que a dança tem com nossa vida, tudo tomaum significado mais profundo /e o trabalho de crescimento pessoal toma importância em nossas vidas.


O ELEMENTO TERRA: traz uma expressão forte e decidida! Para desenvolver e equilibrar este elemento,podemos escolher os solos de percussão onde a mulher precisa estar focada, com controle e clareza em relaçãoà seus movimentos! Movimentos que mantém nossa conexão dos pés com o solo e impulsos para o solo comosaíde e dabke por exemplo.O trabalho de coreografia também é bem vindo pois traz disciplina e organização corporal.Pessoas tipo terra são pé no chão, organizadas, focadas, decididas, líderes, etc.Relacionado ao chackra da base no final da coluna vertebral.


O ELEMENTO FOGO: esta expressão é de sensualidade, poder, controle, ousadia, mistério.O olhar marcante, uma postura sensual, de mulher elegante. Olhares, andadas poderosas, ondulações, redondosenvolventes sem quebra, os momentos de taksim e solo de algum instrumento. Quando a mulher se sentebonita, poderosa, sensual, ousada...Lembrando que todos os elementos devem estar em equilíbrio e não em excesso, o que neste caso deixaria adança muito sexy ou vulgar. Na verdade é o nosso “tempero” de sensualidade e feminilidade.Pessoas tipo fogo estão sempre bem arrumadas, extremamente femininas, chega a ser impossível não prestaratenção quando entram em um ambiente.Relacionado aos chakras do plexo solar, umbigo e sexual.

O ELEMENTO ÁGUA: esta expressão está ligada à alegria de viver, descontração, o hábito de celebrar a vida e ser “moleca”. Na dança encontramos os momentos que a bailarina se comunica com o público, com alegria,brincadeiras, etc. O trabalho de improviso também é bem vindo para “deixar fluir”.Felicidade, descontração, o deixar fluir naturalmente como água, contornando os obstáculos com facilidade e flexibilidade. O aspecto de compartilhar, de ser solidária, compartilhar, de dividir, de unir, alegrar.Está ligado à nossa capacidade de aproveitar os momentos da vida, curtir, rir cantar e dançar, para alegrar nossos dias. Deixar fluir como água. Podemos utilizar ondulações numa pulsação mais alegre e festiva.Pessoas tipo água são brincalhonas, adoram festa, são levadas facilmente por suas emoções.Relacionado aos chakras do coração e garganta.

O ELEMENTO AR: esta expressão é quase angelical, leve, algo que dá um toque de espiritualização à dança.Ligado a nossa conexão com o divino,à nossa capacidade de olhar além das aparências, de amar todos os seres do Universo. Encontramos na expressão da dança, através das idéias leves, da sutileza de um gesto, na energia transformadora de uma dança realizada com sabedoria interior. A força do bem, do coração, e eliminação do ego. Nossa ligação com o divino, onde nos tornamos um canal para transmitir coisas boas através de nossa dança. Presente em todas as filosofias orientais, a respiração é uma das formas mais antigas e sábias para iluminação do ser. Ela ativa o sistema nervoso parassimpático, que acalma e dissolve o stress.Pessoas tipo ar, tem capacidade de visualizar outros pontos de vista, são espiritualizadas, sábias. Relacionado ao chakra do terceiro olho e da coroa...

Cada elemento pode estar em excesso ou falta em nossa vida e nossa dança! Para isso é preciso um estudo aprofundado da relação de atitudes que tomamos na vida, associadas à nossa dança.Em uma música clássica por exemplo, precisamos respeitar as oscilações de humor da música e procurar o quetemos de cada elemento dentro de nós, para fluir uma expressão natural e de acordo com o contexto musical.Vamos resgatar o sagrado feminino e dançar com a alma, com uma consciência mais ampla e renovada.

Namastê meninas lindaasss... “minha alma de bailarina reverencia e respeita à sua”.

Escrito por Ju Marconato - www.jumarconato.com.br

10 de janeiro de 2012

Entendendo o corpo da bailarina

flora_pitta

Para gente falar de dança, precisamos perceber que a dança além de toda a magia e arte também é considerada um esporte, pelo menos pelos olhos da saúde.


Então é necessário que a gente encare uma bailarina profissional como uma atleta de elite (daquelas que vão para as olimpíadas) e uma amadora como um atleta amador, e uma pessoa que pratica a dança por hobby (1 vez na semana e olhe lá), podemos enxergá-la como aquele futebolzinho com os amigos de final de semana, sabe? Assim é didaticamente mais fácil para entendermos algumas coisas.


Toda atividade física requer habilidades, cada uma com suas especificidades, então se desenvolve a capacidade físicade cada atleta, para se chegar ao máximodo rendimento que esse atleta podechegar.A capacidade física deve ser trabalhadade acordo com a atividade praticada.


Ou seja, com um maratonista deve ser feito um trabalho de resistência, um levantador de peso precisa de força. Quando este treinamento é realizado de forma desorganizada e inadequada, não háganho no desenvolvimento da técnica e de execução o que compromete o potencial e desanima o bailarino. Deve-se analisar os principais fundamentos técnicos da dança que envolvem a força, potência, flexibilidade, coordenação, equilíbrio, agilidade, resistência muscular e cardiovascular, entreoutros.Sem esses não é possível ter êxito na prática da dança (Me aprofundarei nesses temas).



Referências:

PRATI, S R A; PRATI, A R C. Níveis de aptidão física e análise de tendências posturais em bailarinas clássicas .Rev. Bras.Cineantropom. Desempenho Hum. 2006;8(1):80-87.

FUENTE, E. R, et al. Danza Professional: Unarevisión desde la salud laboral. Rev Esp Salud Pública 2009, Vol. 83, N.° 4.

CAPRI, Fabíola Schiebelbein; FINCK,Sílvia Christina Madrid. A dança no contexto da educação física: Uma análise da prática de ensino deprofessores e de acadêmicos no processo de formação docente. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital.Buenos Aires. Ano 13.Nº 128. Janeiro de 2009.


Escrito por Flora Pitta

13 de outubro de 2011

Oração da Dança - Santo de Agostinho

Louvada seja a dança,
Ela libera os homens,
Do peso das coisas materiais,
Para formar a sociedade.

Louvada seja a dança,
Que exige tudo e fortalece,
A saúde, uma mente serena
E uma alma encantada.

A dança significa transformar
O espaço, o tempo e o homem.
Que sempre corre perigo
De perder-se ou somente cérebro,
Ou só vontade ou só sentimentos.

A dança porém, exige
o Ser Humano inteiro,
Ancorado no seu centro,
E que não conhece a vontade,
De dominar gente e coisas,
E que não sente a obsessão
De estar perdido no seu Ego.

A dança exige um homem livre e aberto,
Vibrando na harmonia de todas as forças.

Ó homem, ó mulher aprenda a dançar,
Senão os anjos no céu
Não saberão o que fazer contigo.

(Augustinus - Santo Agostinho, 354 - 430 d.c.)

29 de janeiro de 2011

Os Signos e a arte da Dança do Ventre.

Num nível mais profundo, não existe um signo apto a se desenvolver na dança do ventre e outro que não possa, é verdade que os eixos Áries, Libra, Touro e Escorpião têm demonstrado bastante afinidade com a dança, mas as tendências específicas para a dança ou qualquer vocação só podem ser reveladas pelo mapa astral do indivíduo e não apenas pelo signo solar, além do mais os benefícios físicos e emocionais dessa arte estão abertos à todas, basta que queiram praticar.

O que vemos abaixo são algumas orientações simples e rápidas para todas as que se interessam pela dança do ventre:

***ÁRIES***

A dança do ventre encontra um solo propício entre os signos de Áries e Libra, no entanto a ariana, regida por marte, é muito independente e voltada para a vanguarda, por isso a arte em geral lhe faz bem, suprindo a sua necessidade de ser livre. Revolucionária e carismática, ela inspirará outros a praticarem a dança do ventre, e nunca faltará fôlego para a incansável ariana que fugirá ao modelo tradicional, inovando em suas roupas e incorporando a sua famosa "espontaneidade" para criar um estilo totalmente diferente e de alto impacto.... Seu maior problema pode ser a pressa: Precisa lembrar que até mesmo o "Poderoso Ariano" precisa de tempo para evoluir, se respeitar isso, não medirá esforços para aprimorar sua arte e aproveitar sua genialidade.

***TOURO***
Aqui também, no eixo Touro e escorpião, nós vemos o desenvolvimento dessa arte. É natural e imediata a empatia da taurina com a dança do ventre. Este signo, regido por Vênus, é também um grande sensorial e na arte partirá em busca das formas e da feminilidade. Além disso, essa arte se desenvolveu grandemente no Egito, civilização de fortes características taurinas ( eles adoravam o próprio animal como símbolo de fertilidade ), o que faz com que a maioria dos nativos se sintam "alinhados", com um bem-estar muito grande praticando ou simplesmente admirando essa Arte.

***GÊMEOS***

Inquieta, a geminiana sente que tem muito a conhecer e trocar com todos que praticam a dança do ventre, sua curiosidade natural vai levá-la a mil e uma estórias que ela passará às outras em infindáveis noites no telefone, internet, escritos, etc.. Ela é o informante do zodíaco. Faz tudo isso enquanto seu corpo se aprimora incansavelmente, pois também não lhe falta fôlego, aliás ela precisa de muita atividade física. Seu único problema parece ser o excesso de interesses, em alguns momentos sentirá necessidade de cortar algumas atividades para alcançar o aprimoramento desejado. Tendo muita energia nas mãos, a criação das roupas de dança do ventre poderão também chamar sua atenção.

***CÂNCER***
Regido pela Lua, até o mais "pacato" canceriano guarda um boêmio dentro de si, seu interesse por poesia, cultura, histórias antigas, e pelo fantástico vão levá-lo a desfrutar ótimos momentos com essa arte. Além do mais este signo precisa muito de formas " não-racionais" de expressão. Essa arte será como uma grande viagem que vai colocar a canceriana em contato com arquétipos femininos, isso a tornará mais forte fazendo com que seu universo emocional ultra-sensível seja equilibrado. Em seu estilo, ela pode explorar " A Grande Mãe", a mulher repleta de energia ying que age como um imã, pois é sempre bom estar ao seu lado, ou explorar seu lado misterioso.

***LEÃO***

O centro das atenções parece ser uma posição natural para os leoninos, isso se deve não só ao narcisismo, mas à força de sua personalidade que consegue sustentar " um mundo inteiro " à sua volta. A leonina se sentirá fatalmente atraída pelo brilho e glamour da dança do ventre, suas roupas serão chamativas e bonitas, no entanto não deve se esquecer do mais importante : incorporar a irreverência pessoal e alegria de viver ao seu estilo de dança, pois o mais atraente em sua Arte vem da sua personalidade, e não do mundo exterior. Com o tempo, ela acabará entusiasmando outros a se aproximarem dessa arte.

***VIRGEM***
O Brasil é um país virginiano e aqui o " culto ao corpo " atinge proporções até absurdas.Este é o signo do aprimoramento físico e do aperfeiçoamento da matéria. A virginiana as vezes se embaraça na busca pela perfeição, exigindo demais de si em sua vida e nos relacionamentos. A dança do ventre pode lhe fazer muito bem, suprindo sua eterna necessidade de aprimoramento, de atividade física, e de buscar uma expressão para sua feminilidade, ao mesmo tempo em que deixa de ser tão perfeccionista em sua vida pessoal. Ela se empenhará em adquirir muita técnica e pode criar roupas de bom gosto, mas por trás de toda essa disciplina, não deve esquecer que tem de colocar também sua criação pessoal.

***LIBRA***
O eixo áries- Libra é bem propício à essa arte. Libra rege exatamente a região dos quadris, e a libriana artística, sempre em busca da estética vai se realizar muito com a prática . Também não poupará esforços para aperfeiçoar o estilo, afinal melhor que ninguém, ela sabe o que significa " A Arte pela Arte ". Poderá se apresentar com roupas bonitas e criativas, pois está à vontade com a estética, além disso vai levar a dança à muitos lugares e pessoas, o que faz parte de sua necessidade natural de contatos. Um dia poderá descobrir também que por trás de toda essa fascinação estética está sua própria busca de significado, da criação de um mundo harmônico onde desfrute de equilíbrio pessoal.

***ESCORPIÃO***
O eixo Touro- Escorpião está em casa com a dança do ventre, o motivos são óbvios : este é o eixo da fertilidade, da energia sexual , do corpo e dos aspectos emocionais profundos da vida. A nativa de escorpião, regida também por Marte, encontrará na dança um meio de canalizar sua alta energia física, além do mais, essa arte vai equilibrar a sua sensualidade, fazendo-a entender que vida afetiva não é sinônimo de conflito. Mais do que qualquer um, ela precisa sentir a intensidade da vida e dos sentimentos, e a dança do ventre vai fazê-la entrar em contato com sua feminilidade profunda, regenerando totalmente suas energias e dando novo significado ao seu cotidiano.

***SAGITÁRIO***
Aqui temos um amante natural da dança e do teatro. Com tanta energia a sagitariana precisa de atividade física. Além do mais, a esta é a " mulher no mundo dos homens", ela trabalha, se divide em mil tarefas, sempre dando conta de tudo, precisa reservar espaço para uma atividade feminina como a dança do ventre. Mas sem " dondoquices", ela é um espírito livre. Polivalente, organizará também o vestiário, os cursos e o marketing. Deve se lembrar que o maior benefício dessa arte não está na competição nem na velocidade, mas no prazer de evoluir e aprender mais, a dança vai satisfazer sua necessidade de entrar em contato com outras culturas, ampliar sua visão de mundo, e ela passará este prazer aos outros com muito entusiasmo.

***CAPRICÓRNIO***

O Capricórnio tem sido muito relacionado com o Balé clássico e os motivos são óbvios : Esforço, constância, Tempo, disciplina e rigidez. Tudo isso é necessário para a formação do dançarino, aliás, ao contrário do que muitos pensam, arte e disciplina sempre andaram juntas. Este signo da terra não medirá esforços, se gostar da dança do ventre, seu desenvolvimento será melhor com o tempo, sem pressa, será um prazer fazer bons cursos e aprimorar sua arte, antes de mostrar isso ao público, se sentirá estruturado e mais seguro. Por dentro do rígido Capricórnio existe um canceriano sensível e os benefícios que a dança do ventre vai proporcionar aos seus sentimentos vão deixá-lo fascinado, além do mais este também é um signo de bastante energia feminina.

***AQUÁRIO***

Aqui temos um signo vanguardista que pode se interessar pela excentricidade da dança do ventre. Genial e criativa, a aquariana revolucionará o vestuário, suas roupas se destacam, mas deve fugir das " dondoquices", das " mesmices" e explorar seu estilo diferente sem perder o bom gosto, sua expressão normal é se destacar dos outros, assim ela acrescentará algo novo à essa arte. Com o tempo as pessoas entenderão que " era exatamente isso o que faltava" e os críticos passarão a admirar sua inovação, mas lembre-se : Até que isso aconteça é necessário muito trabalho e dedicação, afinal aquário é a revolução, mas não por acaso e sim com responsabilidade de criar um mundo melhor.

***PEIXES***
Miragem, teu nome é Peixes.... O último signo já não se limita mais aos aspectos racionais da vida, a pisciana vê o mundo com outros olhos. Profunda, fantasiosa, com ela descobrimos que a realidade vem depois da arte e "o essencial é invisível aos olhos ". A dança do Ventre vai fasciná-la, fazendo-a se sentir uma "canalizadora" dos poderes femininos e mágicos do Cosmos. Afinal, crenças antigas nos ensinam que o mundo foi criado a partir da Dança e isso nos leva à uma visão cosmológica, onde a coreografia assume o papel de expressão e ordenação da vida, a qual não existiria sem ela, pois sem a "dança-cósmica" tudo seria uma massa confusa. Daí temos: a dança da vida, dos planetas, universos paralelos, etc... Significado, teu nome é Peixes!

30 de outubro de 2010

As fases da Dança do Ventre

(na carreira de uma bailarina)
por Jorge Sabongi

Sabemos que a dança do ventre é uma jornada para o resto da vida de todas as mulheres que se predisponham a levá-la a sério e tê-la consigo como balizamento emocional, e elemento estruturador da auto-estima. Em se tratando de aprendizado com intuito profissional, existem algumas fases que devem ser conhecidas:

1) Sede de aprendizado - Tudo começa quando uma mulher tem o primeiro contato com a dança e vislumbra a possibilidade de vir a aprendê-la. Nesse instante, quer saber tudo o que a professora sabe, e acredita que em um mês estará totalmente desenvolta a fim de se apresentar para quem mais gosta.

2) Desânimo ao achar que nunca vai aprender (primeiros 6 meses) - Aparece nas primeiras dificuldades com movimentos mais elaborados e que necessitam coordenação específica.

3) Confiança em acreditar que pode fazer (1 ano) - Após superar o desânimo e continuar com perseverança seus estudos de dança, percebe que, com treino, consegue fazer alguns dos movimentos já suficientes para cumprir os objetivos para os quais se determinou.

4) A primeira dança para o público - É o momento mais importante. Aqui fica definida qual a estrada que vai trilhar. Se as palmas e os elogios acontecem, provavelmente inicia-se um processo de euforia e a crença de que poderá ir além.

5) Início de danças para o público com mais freqüência (2 anos) - Início de uma fase difícil de lidar. A bailarina acredita que domina seu público e que "já sabe tudo"e "pode ensinar muito". Ouve pouco e fala demais. Inicia uma fase de auto-confiança semelhante a uma bolha, que pode esvaziar a qualquer momento. Ela mesma desenha para si uma promessa de sucesso; sua preocupação principal: o cachê. O ego começa a contrastar.

6) Desequilíbrio com o ego e dificuldades em lidar com a humildade - Lida com elogios de forma desequilibrada, podendo perder os traços de humildade. É a tendência para criticar e o desconforto extremo quando vira para si o alvo da crítica. Nesse momento, geralmente, começa a dar aulas, despreparada e sem a generosidade necessária. Assim, não oferece a suas alunas o que de fato deveria.


7) Estrelismo (3 anos) - A pior de todas as fases. O momento negro na carreira da bailarina de dança do ventre profissional. Acredita que ninguém sabe mais do que ela: "todos precisam aprender". É a senhora das palavras, das opiniões e das verdades. Modéstia passa a ser uma palavra desconhecida e o convívio social é permeado pelo interesse profissional. Por vezes, ao ser questionada sobre seu tempo de estudos em dança do ventre adiciona todos os cursos de balé que já fez na vida e diz "já estou trabalhando nessa área há dez anos", quando na verdade só começou a estudar a dança oriental há dois. A inflação no tempo de experiência pode ser extendida para a lista de apresentações profissionais e até mesmo a dança no clube do bairro está lá presente no currículo.

8) O sucesso não chegou como previsto - É o momento da dúvida: afinal, o que saiu errado? A cartilha dizia que era esse o caminho; em que ponto do mapa fica o sucesso tão almejado? O mapa, na verdade, não existe, e a bailarina percebe que precisará escrever seu próprio mapa, se desejar continuar.

9) Desânimo com o que já sabe - Acontece ao perceber que faz sempre as mesmas coisas, os mesmos movimentos, e dança sempre com as mesmas músicas. Surge a sensação de que parou no tempo. Já não se contenta mais com o pouco que desenvolveu e entra em depressão com a dança. Em muitos casos, acaba realizando suas apresentações meramente para angariar recursos financeiros; é uma fase perigosa, pois a tendência aqui é "criar" formas de chamar a atenção para a dança, coisas que ninguém nunca fez e que, eventualmente, podem ser um grande chamariz para atrair as pessoas ou a mídia. Um desrespeito à cultura e à arte. É uma fase de procurar atalhos.

10) Estacionar com o aprendizado (4 anos) - Além do tédio de ter que se apresentar sempre com as mesmas músicas, as mesmas roupas (pois o ânimo e a criatividade parecem que foram embora para sempre), agora parece que já não existem fontes confiáveis e conhecimentos para adquirir, e o jeito será manter a dança como fonte de renda financeira, por mais pesado que pareça este fardo; e aparece a preocupação "tenho que aumentar meu cachê... afinal já estou há quatro anos trabalhando como profissional!".

11) Indecisão sobre a dança e seus propósitos pessoais - A dúvida começa a pairar. Foi realmente um acerto ter escolhido esta estrada? Acredita que já aprendeu tudo o que podia. E mesmo assim o questionamento "ser uma estrela" ou "ser uma farsa" tem um grande impacto emocional.

12) Decisão de procurar novas fontes (5 anos) - Se conseguir superar a fase anterior, inicia-se um novo horizonte, com idéias, fluxos de criatividade e vibrações de possibilidades que antes pareciam obscuras.

13) Necessidade de reconhecimento - Começa a acreditar que ninguém, neste período todo de carreira, reconheceu seu valor e tudo o que aprendeu durante anos. O mundo não a compreendeu e não reconhece o talento visível que é.
14) Amadurecimento e respeito pela arte (10 anos) - É o momento em que se atinge o primeiro platô de sabedoria. Percebe que ainda não aprendeu absolutamente nada do que existe neste manancial de cultura e começa a respeitar mais seu corpo e seu aprendizado. Percebe que a estrada é mais longa do que imaginava e agora a incorpora para sempre. Já faz parte do seu sangue conviver com o aprendizado da dança. A humildade começa a aparecer e fica difícil a convivência com as iniciantes que se encontram na fase do desequilíbrio com o ego.

15) Procura incessante por novas fontes e maneiras de dançar - O prazer agora, mais do que nunca, está na descoberta do que durante tantos anos esteve oculto: o conhecimento. Encontra as respostas para muitas atitudes de antes e com tudo que toma contato percebe um sentido melhor, pois já teve oportunidade de sentir e compartilhar pessoalmente no passado.

16) Equilíbrio artístico e definição de métodos de ensino - Já não faz tanta diferença como os outros pensam ou como o mercado reage às suas investidas. Desenvolve seu trabalho procurando sempre ferramentas para aprimorar seus métodos para ensinar, passar a frente tudo o que aprendeu. O aprendizado e o aperfeiçoamento agora importam demais para si.

17) Especialização de danças e investimento na imagem (15 anos) - Começam a fazer parte do currículo danças folclóricas dos países árabes, mediterrâneo, sempre embasadas em um amplo conhecimento em cada assunto. Seu nome começa a ganhar destaque no mercado da dança. Cresce a credibilidade e desenvolve um trabalho sério. Surgem os workshops.

18) Ensino do que aprendeu na carreira - Agora o mais importante é a alavancagem de maior conhecimento possível. Esta passa a ser a fonte de seu prazer. Sua dança só enriquece se descobre novas fontes de conhecimento; e delas sempre se utiliza para o aperfeiçoamento de movimentos e o ensino.

19) Plenitude na dança e fonte de pesquisas (20 anos) - O prazer artístico está alicerçado em conhecimento e saber; realiza com o corpo o que desejar e, graças aos anos de pesquisas empreendidas durante a existência, tudo tem coerência e os pontos de estudo parecem alinhavados.

20) Dúvidas sobre quando parar de dançar - É um momento delicado na carreira de toda bailarina e de qualquer artista. Relutância em acreditar que suas apresentações iniciam uma fase descendente em se tratando de tempo; super-valorização do momento presente. O tempo passa para todos.

21) Nostalgia e respeito público (mais de 25 anos) - Seu nome acaba sendo respeitado e admirado por todas aquelas que fazem parte do meio. As lembranças pessoais parecem recentes... Se conseguiu construir uma carreira íntegra, acaba tornando-se uma "lenda viva" na arte. Torna-se fonte de consultas permanente e admira-se com os novos talentos que despontam. No fundo, lamenta que todas tenham que passar por cada uma dessas fases, se quiserem chegar onde chegou. Umas se perderão no caminho, outras florescerão. Afinal, a vida sempre foi um turbilhão de desafios.

Evidentemente, o tempo de dança varia de mulher para mulher e da mesma forma as fases podem ter períodos de continuidade diferentes. Um fator interessante e também muito importante é que tendo conhecimento de que essas fases existem pode-se diminuir sua longevidade e atenuar muitos dos aspectos negativos, principalmente das fases iniciais.

Faz parte da carreira de toda bailarina conviver com essas fases: elas determinam seu desenvolvimento e crescimento. Nada fácil por sinal.

Esta é minha visão do mundo da dança do ventre no Brasil, depois de conviver desde 1983, diariamente com essa arte.

Jorge Sabongi - Agosto 2000
(esta matéria foi escrita e publicada na Revista Khan el Khalili No. 2)